Mosteiro de Leça do Balio

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mosteiro-leça-balioO Mosteiro de Leça do Balio, onde se inscreve a Igreja de Santa Maria de Leça do Balio, localiza-se na povoação e freguesia de mesmo nome, no concelho de Matosinhos, distrito do Porto, em Portugal. Vizinho à foz do rio Leça, cerca de uma légua ao Norte do centro histórico do Porto, trata-se de um original exemplar de arquitectura religiosa fortificada.

O Mosteiro de Leça do Balio serviu, originalmente, a Ordem de Malta. Foi edificado no século XIV por Diogo Pires, o Moço. No lugar onde se ergue a igreja, gótica, existiu, por volta do ano 900, um convento dúplex de invocação do Salvador, provavelmente arrasado durante a invasão de Almançor, em princípios do século XI.O templo foi construído por iniciativa de frei Estevão Vasques Pimentel. Na segunda metade do século XIV (1372), ali casou D. Fernando com D. Leonor Teles.

Classificado como monumento nacional, este imóvel medieval é considerado um dos melhores exemplares arquitectónicos existentes no país, de transição do estilo românico para o gótico. Da construção românica resta apenas, nas traseiras da igreja, uma ala incompleta do claustro, um portal e uma janela com decoração vegetalista.

Mosteiro de Leça do Balio foi reedificado no séc. XIV, segundo o modelo das igrejas fortaleza. A fachada principal de estilo gótico, com ampla rosácea radiada e rematada por uma cruz da Ordem de Malta, possui torre de menagem de traça românica, coroada de ameias.

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Interior da Igreja do Mosteiro de Leça do Balio

Do mosteiro resta apenas a igreja, de planta cruciforme, ladeada por uma alta torre quadrangular, provida de balcões com matacães, a meia altura e no topo, em ângulo, seteiras, dando à igreja um aspecto de verdadeira fortaleza militar. No seu interior destaca-se, junto à campa de Frei Estêvão Vasques, uma placa de bronze, com diversos motivos decorativos e contendo o epitáfio do defunto em caracteres leoneses.

Ao longo de todo o século XI, o primitivo mosteiro de Leça do Balio é referido em diversos documentos. Em data incerta, na segunda década do século XII, D. Afonso Henriques (1112-1185) doou o couto de Leça aos Hospitalários da Ordem de Malta em Portugal, a primeira das Ordens Militares documentada em território português.

No primitivo de Mosteiro de Leça do Balio estabeleceu-se a Casa Capitular da Ordem, que passou, posteriormente, a sede de um de diversos bailiatos, de onde adveio o topónimo à povoação: Leça do Bailio.

Na posse dos Hospitalários, o primitivo de Mosteiro de Leça do Balio recebeu ampliações e reformas que lhe deram feições de natureza militar em estilo românico, cujo elemento mais marcante foi a construção de uma sólida torre. O actual templo, em estilo gótico, remonta a uma grande campanha construtiva iniciada pelo prior da Ordem, D. Frei Estêvão Vasques Pimentel, entre 1330 e 1336, quando foram renovados ainda os edifícios monacais e o claustro, dos quais elementos chegaram até aos nossos dias.

Mosteiro de Leça do Balio foi celebrado o matrimonio do rei D. Fernando (1367-1383) com D. Leonor Teles. Posteriormente, no contexto da Crise de 1383-1385, também ali esteve o Condestável Nuno Álvares Pereira, em 1385, no início da jornada que lhe deu a posse do Castelo de Neiva e de outras localidades na região.

O atual Mosteiro de Leça

O Mosteiro de Leça do Balio encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto publicado em 23 de Junho de 1910. Na década de 1930 foi efectuada uma obra de restauro de todo o monumento pela Direcção Geral dos Monumentos Históricos. Em 1996, o mosteiro começou a ser palco de obras de beneficiação suportadas pela UNICER, ao abrigo da Lei do Mecenato.

Historia do Mosteiro de Leça

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Feira Medieval no Mosteiro de Leça do Balio

Pensa-se que o fundador do Mosteiro de Leça, que nessa altura se chamava Convento do Salvador, teriam sido antepassados de D. Tructesindo Osores em meados do século X, tendo transitado o direito de padroado para Dª Unisco Mendes por morte de seu marido. Era um convento misto, de frades e freiras, sujeito à regra de São Bento.

O primeiro documento onde se assinala o Mosteiro de Leça do Balio é de 1003, onde D. Famula de Deos Vigília, faz uma doação de terras para o Convento. Porém, em 1021 há uma doação do Convento do Salvador, por Dª Unisco Mendes e seus filhos Oseredo e Patrina, para o Mosteiro da Vacariça. É nesta doação que aparece pela primeira vez o nome de São Mamede de Infesta e onde se pode ver que havia já uma igreja em Moalde. A importância deste Mosteiro no panorama religioso da época, fica confirmado pela ida do abade Randulfo aos concílios de Coyanza (1055 ) e ao de Compostela (1056) como auxiliar de Sisnando, bispo do Porto.

Nestes concílios foram tomadas medidas para garantir o ius episcopale sobre todas as igrejas da respectiva diocese e para impedir a sua divisão e apropriação dos seus rendimentos pelos proprietários leigos, bem como a sua intervenção na nomeação dos prelados. Este prelado era sobrinho e discípulo do abade Tudeílo, que organizou em torno do Mosteiro de Leça do Balio um pequeno agrupamento monástico fiei às tradições regulares ancestrais, pois firmou um pacto monástico com outros abades e procurou desenvolver em torno do dito Mosteiro de Leça o aparecimento de algumas capelas. É possivelmente desta época o aparecimento de uma capela ou um eremitério no lugar da Ermida.

Em 1094, D. Raimundo e D. Urraca fazem uma doação do padroado do Mosteiro da Vacariça à mitra conimbricence. Tal doação ficou-se a dever à intervenção de Crescónio, bispo de Coimbra. Nessa época ainda estavam em uso na Península os ritos franco-romanos e visigóticos, sendo que Roma e Cluny pretendiam a introdução dos ritos romanos e a normalização dos mesmos em todas as paróquias. O bispo Crescónio desenvolveu uma intensa actividade junto de várias comunidades no sentido de propagar a reforma eclesiástica e litúrgica. Visitou os mosteiros de Arouca e Pendorada, Santo Tirso e Leça, considerados os mais importantes do Condado Portucalense, com total sucesso.

Com a falta de rendas, absorvidas pelo bispado de Coimbra, o Mosteiro de Leça do Balio entra em declínio embora D, Gutino no final do século XI tenha feito, algumas obras de beneficiação. Com a chegada de várias ordens religiosas ao condado, entre o ano de 1112 e 1116, D. Teresa, mulher de D. Henrique doou o Mosteiro à Ordem do Hospital de São João de Jerusalém (depois Ordem de Malta).

No século XII em 1157 D. Afonso Henriques e sua mulher Dª Mafalda fizeram doação do couto do mosteiro ao procurador D. Raimundo e ao prior de Portugal e Galiza do Ordem do Hospital, D. Ayres. Este “couto” foi confirmado em 1166 (Couto de Santa Maria de Leça do Balio).

“Consta do Tombo deste Baliado dar o Senhor Rey Dom Affonso Henriques esta igreja a Dom Raimundo (conde e senhor da Galiza) Provedor dos Santos e pobres da Santa Cidade de Jerusalém e a Dom Ayres Prior de Portugal e Galiza e lhe deo terras e pençoens e lhas coutou no ano de 1166 e lhe deo jurisdiçam Cível e poder de pôr ouvidor que conhecesse de apellaçooens e agravos e alimpasse pautas e confirmasse peno povo na camera destedito Couto de Lessa e assim sam os venerandos Balios senhores donatáríos e capitaens deste Couto “

Este couto abrangia um vasto território onde se incluía a freguesia de São Mamede de Infesta. Foram inumeráveis os privilégios concedidos pelos nossos primeiros reis e pelos pontífices aos cavaleiros da Ordem do Hospital. Estas prerrogativas ainda se mantinham em vigor em 3 de Dezembro de 1728, pois D. João V não só as admitiu, como também as confirmou sem uma única emenda. Dada a grande riqueza agrícola de todo o vale do rio Leça – onde o couto de Leça se encontra – acharam por bem os vários balios arrendarem as terras, dividindo-as em casais, meios casais e quintanas a diversos rendeiros, auferindo assim das vastas rendas.

Nas Inquirições Afonsinas de 1258, era dado como a paróquia de São Mamede com duas aldeias: São Mamede com nove casais e Manualdi com sete. Ora, em 1021, já havia uma indicação de uma igreja em São Mamede, pertença de D. Unisco Mendes, juntamente com toda terra de uma aldeia chamada Manualdi. Em 1130, Vermudo Gonçalves doa ao Bispo do Porto D. Hugo, metade da igreja de São Mamede com todos os seus passais e testamentos e ainda um quinto da quarta parte da aldeia de Tresores e metade da aldeia de Manualdi.

Em 1131, Dª Chamoa Pais e seu marido Vasco Dias vendem ao dito Bispo do Porto, D. Hugo, a quinta da quarta parte da Aldeia de São Mamede de Tresores e a oitava parte do que lhes tinha sido cedido aí por Gosendo Gonçalves e Dª.Ermesinda e ainda parte da mesma Igreja.

No século XVI segundo o livro do Tombo da Baliagem de Leça, em 1566, São Mamede de Infesta possuía os seguintes lugares: Aldeia de Baixo, Ermida, Outeiro, Carril Branco, Laranjeira, Casal da Igreja, Casal das Devesa. Eirado, Moalde, Casal do Meio e Casal da Poupa. Em 1643, já se chamava São Mamede da Ermida e era constituída pelos seguintes lugares: Eirado, Corujeira, Ermida, Laranjeira, Aldeia da Igreja, Telheiro, Carril Branco, Tronco, Moalde, Casal da Poupa, Asprela, Arroteia, Casal de Baixo, Deveza, Outeiro, Alagoa, Cidreira e Cavada.

A importância do Couto de Leça no início do século XVI justifica mesmo que, em 4 de Junho de 1519, o rei D. Manuel lhe atribua uma carta de foral, indo mais longe, no primeiro quartel deste século. Leça é constituída em município, para fins administrativos, com julgado próprio e com três freguesias – Leça, Custóias e São Mamede. Cada uma das freguesias elegia dois vereadores e os seis elegiam outro, que servia como juiz ordinário do julgado. Século XVIII Em 4 de Novembro de 1740, D. João V e a pedido do Balio D. Lopo de Almeida, determinou que todos os foreiros requeressem o encabeçamento dos prazos de vida. Assim, ordenou que todos os indivíduos possuidores, por títulos de aforamento, de prazos ou propriedades em qualquer parte foreiras à baliagem de Leça, ficariam obrigados, num prazo de 30 dias a irem perante o suplicante ( o Balio de Leça ), requerer o encabeçamento dos bens que possuíssem, para, consoante os títulos, celebrarem as respectivas escrituras.

Durante as guerras napoleónicas, em 1809, na segunda invasão, foi São Mamede de Infesta ocupada pelas forças do General Soult, que se manteve aproximadamente um mês nestas posições, antes de retirar para Espanha. Século XIX Durante as guerras liberais, São Mamede de Infesta foi novamente palco de confrontos. Após o desembarque das tropas de D. Pedro, em 8 de Julho de 1832, a cidade do Porto foi ocupada sem grandes confrontos no dia 9. Depois, as tropas miguelistas cercaram a cidade de 1832 a 1833, tendo o rei D. Miguel utilizado a casa da Quinta da Pedra para sua residência. Em São Mamede de Infesta estava um grande e forte dispositivo de combate. Em 30 de Maio de 1834, é extinto o couto de Leça, juntamente com todas as ordens religiosas do País, por decreto de D. Pedro e do ministro Joaquim António de Aguiar, sendo o município incluído e, portanto, a Freguesia de S. Mamede de Infesta, no Concelho de Bouças.

Os terrenos pertencentes ao Couto de Leça, foram anexados à coroa, sendo posteriormente leiloados a partir de Abril de 1835, devido à grave situação económica do País. O último presidente da Câmara de Matosinhos, na transição da monarquia para a república, foi o Dr. Francisco Fernando Godinho de Faria, que, embora não tenha nascido em São Mamede de Infesta, para lá foi viver em 1886, como médico, tendo falecido nesta freguesia em 27 de Setembro de 1919.

referencias: pt.wikipedia.org – Imagens: olhares.sapo.pt

Um abraço e até já!

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Author: luisbramao

Luis Bramão tem interesse por historia e a tudo o que se relacione com o passado, sou o criador do blog http://visaodopassado.blogspot.com onde tento conhecer grandes momentos do passado tudo o que fez historia.

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